
Belo Horizonte (MG) – O encerramento dos debates técnicos do primeiro dia do VIII Encontro Estadual dos Registradores de Imóveis de Minas Gerais (RIB-MG) trouxe uma mudança de tom no auditório do Hotel Caesar Business. Deixando de lado a complexidade dos provimentos e das rotinas extrajudiciais, o painel de fechamento teve como foco as finanças pessoais e a desmistificação do mercado financeiro. Conduzida pelo advogado, consultor e professor Artur Vieira de Morais, a palestra defendeu a simplificação radical na hora de poupar e o sepultamento de “coleções de investimentos” infladas por
conflitos de interesse de intermediários.
Dialogando diretamente com a plateia sobre a suposta complexidade do ecossistema de capitais, o palestrante contrapôs a sua área com a atividade notarial e registral.
“Esse negócio de registro de imóvel é complicado, né? Vamos falar uma coisa assim: simples. Investimento é simples. Não é simples não, mas pode ser. Pode ser bem mais simples. E é isso que eu me propus a trazer para vocês aqui, que investir pode ser muito mais simples”.
O professor alertou para o fato de que a linguagem rebuscada e os termos em inglês servem, muitas vezes, para camuflar um sistema de distribuição altamente conflitado nas corretoras e bancos. Segundo ele, os produtos mais eficientes e baratos não são ofertados porque não geram comissões para os
gerentes e assessores.
Arthur de Morais fez um alerta contundente sobre o risco de crédito em produtos populares e isentos de Imposto de Renda, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários e Agrícolas (CRIs/CRAs) e debêntures de infraestrutura.
“Vai ser a primeira vez que eu tenho uma plateia que vai entender o que eu vou falar quando eu disser que quem investe em CRI, CRA e debêntures de infraestrutura, são isentos de Imposto de Renda, mas são credores ou credoras quirografárias. Primeira vez que eu não tenho que explicar para as pessoas o que é isso. Mas vocês sabiam que vocês estão emprestando dinheiro para as pessoas sem garantia nenhuma? Vocês têm noção? As garantias reais vão todas lá ser registradas, né? No registro de imóveis”, explicou.
Apoiado na premissa de que “dinheiro é igual a sabonete: quanto mais mexe, mais derrete”, o professor Artur apresentou o funcionamento didático de três ferramentas modernas do Tesouro Direto que blindam o investidor contra ruídos políticos e análises conjunturais de curto prazo.
• Tesouro Reserva (ou Selic): Título pós-fixado com liquidez imediata (23 horas por dia, 7 dias por semana). Ideal para a reserva de emergência, pois rende um pouco todos os dias úteis através de juros
compostos, sem oscilação negativa de preço.
• Tesouro Renda+: Focado na aposentadoria complementar. O investidor escolhe o título com o ano em que pretende parar de trabalhar (ex: 2045) e, ao atingir a data, o montante acumulado é convertido em 240 parcelas mensais (20 anos de salário garantido no bolso, corrigido por IPCA mais juros reais).
• Tesouro Educa+: Criado sob a mesma lógica do Renda+, porém estruturado para amortizar os valores em parcelas mensais ao longo de 5 anos, ideal para o custeio de faculdades no momento em que os filhos completam 18 anos.
No encerramento da sessão de perguntas, ao ser questionado sobre os riscos de custódia em planos de previdência privada (PGBL/VGBL), o palestrante fez um alerta crucial sobre a diferença entre as fases de acumulação (onde o patrimônio do fundo é apartado e seguro) e a fase de benefício (onde o recurso
entra no balanço da seguradora), recomendando que previdências sejam concentradas em grandes instituições financeiras de primeira linha.
